Em abril de 2026, o CTR (Centro Tecnológico Randon) levou suas pistas para a estrada. Na expedição Inovação em Movimento, realizada em parceria com a Randoncorp, um conjunto carregado percorreu rodovias do Sul, Sudeste e Centro-Oeste instrumentado de ponta a ponta.
Foram cerca de 190 horas de gravação, com centenas de canais de medição registrando 500 leituras por segundo cada. O resultado é cerca de 1 terabyte de dados sobre como um veículo pesado realmente vive na estrada brasileira. Agora, a engenharia do CTR começa a transformar esse volume em conhecimento.
A estrada como ela é
O primeiro aprendizado é um retrato da própria estrada. A rota medida foi quase toda pavimentada (98,8%), mas só 23,5% dos quilômetros estavam em asfalto em ótimo estado. Os outros 74% foram rodados em asfalto regular ou péssimo.
A velocidade média ficou em 46 km/h, reflexo de serras, travessias urbanas e paradas. Um dado chamou a atenção dos engenheiros: a velocidade média no asfalto péssimo foi praticamente a mesma do asfalto ótimo. Na prática, o veículo enfrenta o piso ruim sem aliviar o ritmo, e a estrutura absorve a diferença.
O desgaste não acompanha o quilômetro
Com extensômetros espalhados pela estrutura do semirreboque, a equipe calculou o dano por fadiga gerado em cada tipo de piso. Tomando o asfalto ótimo como referência, cada quilômetro em asfalto péssimo gerou, em média, cerca de 2 vezes mais dano. No off-road, cerca de 5,6 vezes. No off-road em mau estado, cerca de 27 vezes.
A conclusão é simples e tem consequências para qualquer projeto: quilometragem, sozinha, diz pouco sobre a vida de um produto. Poucos quilômetros em terra podem pesar mais do que centenas de quilômetros em asfalto bom.
Os dados também mostraram o peso de eventos raros. Nas rampas de entrada e saída de uma balsa, com inclinações de até 17%, o chassi registrou deformações cerca de 2,5 vezes maiores que as do conjunto parado. É um tipo de esforço que nenhuma média de rota revela.
Da estrada para a pista
Medir a estrada é metade do trabalho. A outra metade aconteceu em Caxias do Sul: o mesmo veículo foi medido nas pistas especiais do CTR (Belgian Blocks, Body Twist, Cobblestones, Pot Holes e Washboard) e na pista off-road.
Com os dois conjuntos de dados, a engenharia calcula quanto dano cada pista gera por volta ou por quilômetro. Depois, combina as pistas até reproduzir o dano da vida real do produto, a sua "missão". É o conceito de durabilidade acelerada: a vida do veículo na aplicação original, comprimida em um ambiente controlado. Na prática, cinco anos de uso podem ser reproduzidos em cerca de seis meses de ensaio.
A diferença está na origem do roteiro. Em vez de partir de uma estimativa, o ensaio parte do que foi medido na estrada. A partir desse trabalho, o CTR está formalizando um novo procedimento de durabilidade correlacionado à missão real.
Uma capacidade que fica
O projeto também deixou estrutura nova no CTR. Foi o primeiro sistema de aquisição de dados do centro com telemetria em tempo real, permitindo acompanhar sensores, câmeras e localização à distância durante a viagem. A equipe também estruturou um fluxo para processar grandes volumes de sinal e montou uma base de dano de cada pista.
Essa base não serve só a um produto. A mesma metodologia pode ser aplicada a montadoras, sistemistas e fabricantes de implementos, de veículos leves a pesados, com a isenção técnica e o sigilo que orientam o trabalho do CTR.
Os relatórios técnicos seguem em aprofundamento, e novos aprendizados devem ser compartilhados nos próximos meses. A história da expedição pode ser acompanhada na websérie Inovação em Movimento, no YouTube do CTR.
Quer entender como esses dados podem apoiar o seu projeto? Fale com o time de engenharia do CTR.
CTR: Engenharia independente. Resultado comprovado.